Para que escola?

  • Ana Priscila Griner

Pai e mãe ocupados , sem tempo , sempre cansados. Em casa nem sempre há alguém em quem se possa "confiar" a educação de um filho.

Neste fim de milênio, com uma bagagem de injustiças ameaçadoras, todavia presentes, diante do quadro social insatisfatório, mudanças constantes precisam acontecer – e para melhor! É tempo de se repensar antigas situações e velhas posturas , pois só a partir do ser humano pensante e transformador, cujo potencial existe em cada um, é que transformações significativas poderão ocorrer.

Desde muito pequena, a criança sofre influências do meio e das pessoas com as quais ela convive, observando e captando as atitudes dos adultos como uma esponja que absorve a água. Portanto, é preciso ser criterioso quando "não há tempo para os filhos". Com quem ele passará seu valioso dia ? Que expectativas o adulto tem do ambiente no qual a criança irá adquirir uma boa parte da sua formação?

É necessário ter a consciência da importância do momento em que os pais trazem seus filhos à escola. A criança passa muito cedo do ambiente estritamente familiar para o ambiente social escolar. Assim, começa a conviver com outras crianças e com outros adultos que não são seus pais. Deste ambiente ela fará parte, internalizando o que o novo espaço pretende e pode oferecer. Por tudo isso há que se questionar valores!

A partir da imitação e depois na simbolização, a criança vai se transformando em adulto, assimilando valores que farão parte da sua personalidade, do seu juízo moral . Esta estrutura oferecerá meios para ela repensar o existente e encontrar caminhos para trazer soluções. E desses valores, há de se convir, nossa sociedade está bastante carente.

Mais do que nunca, precisamos saber que formação não é profissionalização, educação não é preparatório para o vestibular, conhecimento não é sinônimo de informação e que o verdadeiro conhecimento só é adquirido se passar pela afetividade, pelas emoções, trazendo envolvimento e utilidades.

Atualmente, com os novos avanços tecnológicos : TV a cabo, multimídia, Internet..., as informações chegam como que tempestades às nossas casas. A criança se vê invadida por informações e se encontra carente de troca e de afeto com o adulto, que possibilite-a digerir através de sua mediação todo esse universo.

Mais do que saber responder a resposta certa para a prova, os pais devem se perguntar sobre os valores que a escola traz. Bem mais importante que o aluno estar "tirando nota", é bom saber se ele está fazendo bom uso do que ele aprende no meio- escolar para a sua formação como ser: se a criança está desenvolvendo bom senso, discernimento entre o que é correto e errado, respeito para com o outro e para consigo, se sabe encontrar soluções para problemas, se traz contribuições para o grupo do qual ela faz parte, se tem perseverança, se desenvolve e faz bom uso da sua sexualidade, se possui habilidades e tem o espaço para explorá-las ...

Existe sim uma grande diferença entre saber escrever e saber fazer bom uso da escrita. Portanto, a escola precisa e deve encontrar esta diferença.

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