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Uso da caligrafia é retomado para valorizar a escrita à mão

Data: 5 de dezembro de 2015

Escrever à mão e no papel é uma habilidade cada vez mais deixada de lado. A presença maior das tecnologias aponta para uma caligrafia ruim e inelegível entre grande parte dos estudantes das escolas do país.

Em um mundo cada vez mais digital, no qual as pessoas usam com frequência os dedos para enviar recados pelo celular e o computador para elaborar textos, escrever à mão e no papel é uma habilidade cada vez mais deixada de lado. A presença maior das tecnologias aponta para uma caligrafia ruim e inelegível entre grande parte dos estudantes das escolas do País, segundo estudos recentes. Há cerca de 10 anos, os cadernos de caligrafia caíram em desuso pelos educadores até quase desaparecer, por serem considerados ultrapassados, mecânicos e repetitivos. Estudiosos dizem que tanto a escrita não digitalizada como a comunicação face a face passaram a se perder de alguma forma, o que traz preocupação. Em nossa cultura, a escrita à mão ainda está bem presente e deixá-la de lado, aponta para o desleixo. Assim, algumas escolas brasileiras começam a retomar a caligrafia de forma interdisciplinar, revendo as antigas práticas e substituindo-as por atividades lúdicas e criativas.

Ponta do lápis: importância de se trabalhar a letra escrita à mão.

Aqui em Natal, o Instituto Educacional Casa Escola é um exemplo desta volta ao trabalho caligráfico desde 2013. A professora Giselle Dionísio, do 4º ano do ensino fundamental do IECE, preconiza que ter letra bonita não é o essencial. “A questão principal não é a beleza da letra isolada. O importante é ajudar o aluno a compreender o uso social da escrita, quando a valorização da letra cursiva, ou de outra qualquer, pode ser vista como patrimônio cultural ao longo da história. Desta forma, procuramos realizar o trabalho com o aperfeiçoamento da letra de cada um, trazendo ideias como estética, identidade, diferenças sociais, design gráfico de cada letra, e principalmente, adequação ao que ser quer escrever, para quem e onde. Tudo isso estimula o aluno a se dispor para refletir e se exercitar, voltado para o capricho e para uma letra mais legível, sem perder de vista que o importante é se comunicar por meio da escrita, dentro e fora da sala de aula em diferentes situações”.

Ela explica que esta cobrança maior só têm início a partir do 2º do ensino fundamental I, quando a criança tem maior domínio do código escrito e possui maior maturidade psicomotora, o que favorece a precisão na hora de escrever. “Este trabalho surge a partir de atividades lúdicas que podem envolver diferentes disciplinas como Língua Portuguesa, História, Artes, Matemática com formas geométricas, entre outras, dependendo do projeto que a turma está desenvolvendo. Fugimos do copiar por copiar, ou de atividades de repetição, a proposta é melhorar a escrita, pensando que ela tem uma função social importante, a de se fazer compreender e de se entender o outro”.

O uso da letra cursiva nos exercícios de caligrafia também ajuda a criança a exercitar a coordenação motora fina, a entender a divisão entre as palavras, a exercitar a memória, a enxergar minúcias e a desenvolver habilidades para outras atividades, como o desenho de mapas e de gráficos. Há ainda estudos científicos que apontam o uso da caligrafia como parte importante para o desenvolvimento cognitivo, com benefícios neurológicos consideráveis.

Com apenas 9 anos, Jiva Lis Cortez, que iniciou as atividades de caligrafia no ano passado, no 3º ano do fundamental, conta que gosta de escrever, mas não imaginava que uma série de atividades com desenhos e criatividade seriam empregados para treinar caligrafia. “Gostei muito de brincar com as letras e poder inventar a minha letra de um jeito que as pessoas entendam. Quando eu não estiver com o celular para enviar uma mensagem, posso escrever um bilhete mais bem escrito”, conta ela, que integra a geração dos ‘nativos digitais’, aqueles que já nasceram na Era da internet.

Colega de Jiva, o aluno Bruno Henrique Gaudino, 10, também compreende a função e a importância de escrever bem. “Eu sei que preciso escrever na escola, mas é muito mais que isso. É para o mundo, para que todos me entendam”, conta ele, que ainda não estámuito satisfeito com sua letra, mas diz que vai continuar a treinar.

Fonte: Tribuna do Norte →

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